Introdução
Dentro do universo brutal e moralmente ambíguo de Jujutsu Kaisen, poucos personagens despertam tanta rejeição, debate e análise quanto Naoya Zenin. Diferente de antagonistas que conquistam o público por carisma ou ideais complexos, Naoya se destaca por representar, de forma quase crua, os aspectos mais tóxicos da tradição, da hierarquia e do elitismo presentes no mundo do jujutsu. Ele não é apenas um vilão ou antagonista pontual, mas a personificação de um sistema falho que oprime, descarta e destrói aqueles que não se encaixam em seus padrões.
Naoya Zenin é um personagem construído para causar desconforto. Sua personalidade arrogante, misógina e cruel não existe por acaso, mas serve como crítica direta às estruturas conservadoras dos grandes clãs de feiticeiros. Ao mesmo tempo, ele é extremamente poderoso, inteligente e tecnicamente refinado, o que o torna ainda mais perigoso. Este artigo tem como objetivo analisar Naoya Zenin de forma completa e profunda, abordando quem ele é, sua origem, personalidade, poderes, técnica amaldiçoada, desenvolvimento narrativo, transformação como maldição e seu papel simbólico dentro da obra.
Quem é Naoya Zenin
Naoya Zenin é um membro do clã Zenin, uma das Três Grandes Famílias do jujutsu, ao lado dos clãs Gojo e Kamo. Desde cedo, ele foi criado dentro de um ambiente extremamente rígido, onde valor, respeito e autoridade são definidos quase exclusivamente por força, talento e linhagem. Dentro desse sistema, Naoya cresceu acreditando que a superioridade masculina e a pureza do clã eram verdades absolutas.
Ele ocupa uma posição de destaque entre os membros do clã, sendo reconhecido como um dos feiticeiros mais talentosos de sua geração dentro da família Zenin. Naoya nutria uma admiração obsessiva por Satoru Gojo, enxergando nele o ápice do que um feiticeiro deveria ser. Essa admiração, no entanto, era distorcida e misturada com frustração, pois, mesmo sendo talentoso, Naoya sabia que jamais alcançaria o nível de Gojo.
Sua relação com outros membros do clã, especialmente Maki Zenin, é marcada por desprezo e hostilidade. Para Naoya, Maki representa tudo o que ele considera uma afronta à ordem natural do jujutsu: uma mulher sem energia amaldiçoada significativa, mas que ousa desafiar a hierarquia estabelecida.
Personalidade de Naoya Zenin
A personalidade de Naoya Zenin é uma das mais repulsivas da obra, e isso é intencional. Ele é arrogante, cruel, misógino e profundamente elitista. Naoya acredita firmemente que o mundo do jujutsu deve ser governado por homens fortes, pertencentes a linhagens tradicionais, e que qualquer um fora desse padrão é inferior.
Sua misoginia é especialmente evidente em sua relação com mulheres, que ele vê como naturalmente inferiores. Para Naoya, figuras como Maki e Mai Zenin não deveriam sequer ocupar posições de combate. Essa visão não é apenas preconceituosa, mas estrutural, refletindo os valores mais arcaicos do clã Zenin.
Além disso, Naoya possui um senso distorcido de honra. Ele acredita que o respeito deve ser imposto pela força e que a compaixão é um sinal de fraqueza. Esse conjunto de valores o impede de reconhecer seus próprios erros e limita sua capacidade de evoluir como indivíduo.
No entanto, Naoya não é um personagem unidimensional. Ele é inteligente, observador e extremamente calculista. Seu comportamento impulsivo em combate esconde uma mente analítica capaz de avaliar situações complexas com rapidez. Essa dualidade torna seu fracasso ainda mais trágico, pois ele possui todas as ferramentas para ser um grande feiticeiro, exceto a capacidade de mudar.
Relação com o Clã Zenin
O clã Zenin é um dos pilares do mundo do jujutsu, mas também um dos mais conservadores e cruéis. Naoya é, em muitos aspectos, o herdeiro ideológico perfeito desse sistema. Ele internalizou profundamente os valores do clã e os reproduz sem questionamento.
Sua ambição de se tornar o líder do clã é motivada não apenas por desejo de poder, mas pela convicção de que ele é o único capaz de restaurar a “grandeza” dos Zenin. Essa mentalidade o coloca em conflito direto com outros membros da família, especialmente aqueles que questionam a tradição.
A destruição do clã Zenin marca um ponto de ruptura definitivo para Naoya. Incapaz de aceitar a queda do sistema que o validava, ele canaliza seu ódio, frustração e ressentimento de forma extrema, pavimentando o caminho para sua transformação.
Técnica Amaldiçoada: Projeção de Feitiçaria

A técnica amaldiçoada de Naoya Zenin é a Projeção de Feitiçaria, uma das técnicas herdadas mais complexas e letais do universo de Jujutsu Kaisen. Essa habilidade permite que o usuário divida um segundo em 24 quadros, obrigando tudo que ele toca a seguir esse ritmo pré-determinado, seja seu adversário ou a si próprio.
Se o alvo falhar em obedecer essa sequência de movimentos, ele fica temporariamente paralisado, criando aberturas fatais em combate. A técnica exige precisão extrema, controle corporal absoluto e uma compreensão profunda de movimento e tempo.
Naoya domina essa técnica em um nível altíssimo, sendo capaz de utilizá-la em altíssima velocidade, transformando o combate em algo quase impossível de acompanhar. Sua movimentação lembra a de uma animação fluida, onde cada ação é calculada e encaixada perfeitamente.
Estilo de Combate
O estilo de combate de Naoya Zenin é agressivo, veloz e implacável. Ele utiliza a Projeção de Feitiçaria para controlar o ritmo da luta, forçando seus oponentes a reagirem em desvantagem constante.

Naoya prefere batalhas de curta distância, onde pode explorar ao máximo sua velocidade e precisão. Ele não dá espaço para erros e pune severamente qualquer falha do inimigo. Sua confiança excessiva, no entanto, frequentemente o leva a subestimar adversários que não se encaixam em sua visão de força.
Confronto com Maki Zenin
O confronto entre Naoya e Maki Zenin é um dos momentos mais simbólicos da obra. Mais do que uma batalha física, trata-se de um choque de ideologias. Maki representa a quebra total do sistema que Naoya defende.
Ao ser derrotado por Maki, Naoya não perde apenas uma luta, mas sua identidade. Ele é vencido por alguém que ele considerava inferior por natureza, o que destrói completamente sua visão de mundo.
Morte e Ressentimento
A morte de Naoya Zenin não é um encerramento, mas um catalisador. O mesmo não morreu em seu primeiro combate com Maki, mas sim pelas mãos da mãe de Maki que encontrou o Naoya se rastejando pelos alojamentos do clã Zenin e o esfaqueou pelas costas enquanto estava fraco.

Seu ódio, humilhação e incapacidade de aceitar a derrota se acumulam de forma intensa, dando origem a algo ainda mais monstruoso.
Transformação em Maldição
Após sua morte, Naoya retorna como uma maldição vingativa, alimentada por ressentimento puro. Essa transformação simboliza a recusa absoluta do personagem em evoluir ou aceitar mudanças. Diferente de outras maldições que nascem de medos coletivos, Naoya surge a partir de um ódio extremamente pessoal, direcionado principalmente a Maki Zenin e a tudo o que ela representa.
Como maldição, Naoya passa por um processo de evolução em etapas. Inicialmente, ele parece com uma lagarta, mas à medida que seu ódio se intensifica, sua forma se torna cada vez mais monstruosa. Seu corpo assume uma aparência aerodinâmica e grotesca, lembrando uma fusão entre inseto e máquina, o que reflete sua obsessão por velocidade, eficiência e superioridade.
Nessa forma final, Naoya alcança um nível de poder comparável às maldições especiais mais perigosas. Sua velocidade ultrapassa limites convencionais, e a Projeção de Feitiçaria se torna ainda mais letal, agora aplicada de maneira quase instintiva.
Expansão de Domínio
Ao atingir sua última etapa como maldição, Naoya desperta sua própria Expansão de Domínio, conhecida como Palácio Lunar da Célula do Tempo (Jihõ Gekkyūden). Essa técnica representa a cristalização absoluta de sua ideologia, poder e ressentimento.
Essa expansão tem como destaque um grande útero com um olho no meio, o que chega a ser engraçado, lendo em consideração que Naoya Olhava para as mulheres com desprezo e inferioridade.
Dentro do domínio, Naoya impõe sua interpretação extrema da Projeção de Feitiçaria sobre tudo que existe no espaço delimitado, chegando ao nível que se até mesmo uma única célula do inimigo se mover fora dos 24 quadros, o inimigo receberá danos pelo seu corpo.
Assim, o ambiente passa a operar obrigatoriamente sob a divisão de tempo em 24 quadros por segundo. Diferente da aplicação comum da técnica, no domínio não há margem nenhuma para adaptação.
O efeito de acerto garantido da Expansão de Domínio se manifesta de forma brutal: qualquer ser que não consiga seguir perfeitamente o ritmo imposto sofre paralisação imediata, acompanhada de danos internos e externos severos. Isso torna praticamente impossível resistir ao domínio sem um nível absurdo de controle corporal ou uma técnica de anulação equivalente como o domínio simples.
Narrativamente, essa Expansão de Domínio simboliza o ápice da tragédia de Naoya Zenin. Mesmo após a morte, ele continua preso à obsessão por impor regras rígidas ao mundo, recusando qualquer forma de liberdade ou imperfeição. Seu domínio não é apenas uma técnica de combate, mas a materialização de um sistema opressor levado ao extremo.
Conclusão
Naoya Zenin é um dos personagens mais complexos e provocativos de Jujutsu Kaisen. Sua força, inteligência e técnica o colocam entre os feiticeiros mais perigosos da obra, mas sua incapacidade de questionar seus próprios valores o condena.
Ele representa o fim de uma era e o aviso de que poder sem autocrítica é um caminho para a ruína. Ao analisar Naoya, entendemos não apenas um personagem, mas uma das críticas sociais mais contundentes presentes em Jujutsu Kaisen.
